Inclusão e valorização do fator humano geram benefícios para o varejo

Inclusão e valorização do fator humano geram benefícios para o varejo

Estudos mostram que uma companhia inclusiva aumenta em 21% suas chances de ser mais lucrativa que as empresas menos inclusivas

Na maior feira de varejo do mundo, A NRF Retail’s Big Show 2019, que acontece anualmente em Nova York, foi discutido muito sobre a inclusão no varejo. Essa é uma tendência na qual as empresas americanas estão se apoiando, a de diversificar os grupos de pessoas nas lojas. Mas afinal o que significa diversidade? É um conceito que abrange todas as pessoas de uma sociedade, incluindo grupos que normalmente são menos favorecidos estruturalmente como pessoas com deficiência, mulheres, pessoas LGBT+, negros e etc.

A nossa sociedade é muito diversificada por isso um consumidor se ver representado no espaço em que compra é muito importante. Além de ser muito importante também oferecer oportunidade para essas pessoas, combatendo o preconceito e a discriminação. Além disso, as pesquisas mostram que um ambiente diversificado estimula a inovação de uma equipe.

Essa consciência social é uma tendência que muitas empresas já estão colocando em vigor, porque os millennials, maior grupo consumidor atualmente, valorizam marcas com propósitos e valores consolidados. Ter propósitos e valores bem definidos é a base do branding de uma marca e também de seu DNA e imagem.

Por exemplo, garantir acesso a pessoas com deficiência em seu estabelecimento, seja colaborador ou cliente, pode ser um desafio mas com certeza isso irá atrair novos públicos. Outro exemplo, a marca O Boticário lançou em 2015 um comercial em homenagem ao Dia dos Namorados com casais diversos e entre eles um casal LGBT+. Para esse público se ver em um comercial de uma grande marca significa se sentir representado e isso é suficiente para ser conquistado por uma marca.

Agora, vendo por outra perspectiva, a inclusão também é discutida no mercado de trabalho. Ainda é incomum ver pessoas com deficiência trabalhando em lojas, isso porque a cultura de inclusão no Brasil ainda engatinha. A Rede McDonald´s faz parte de um programa para ajudar pessoas com deficiências intelectuais a encontrar trabalho. É comum ir a um estabelecimento da rede e encontrar uma pessoa com Síndrome de Down trabalhando lá. A carga horária deles é reduzida, porém sem essa iniciativa, muitas pessoas com deficiências não teriam empregos e não se sentiriam importantes e parte da sociedade. E isso faz diferença na autoestima e no desenvolvimento dessas pessoas.

Outra marca que possui a acessibilidade como parte dos valores básicos é a Natura. A marca tem uma meta anual de contratação de pessoas com deficiência que é superior à cota exigida por lei. E o foco em ter equipes diversas não termina na contratação. O objetivo principal da Natura é incluir de verdade todas essas pessoas. Em caso de um funcionário surdo, os funcionários ouvintes podem fazer cursos de LIBRAS e apadrinhar colegas com deficiência quando eles entram na empresa. O padrinho acompanha o colaborador surdo nas atividades do dia a dia e o ajuda a quebrar as barreiras de comunicação.

A inclusão de gênero e as vantagens para as empresas

Muito se debate atualmente sobre as mulheres no mercado de trabalho. Em muitos lugares é comum mulheres receberem menos que os homens para realizar exatamente as mesmas funções.

Segundo estudo da McKinsey and Co., as mulheres recebem em média 76% do salário dos homens, e mulheres negras, em média 30% a menos. Além disso, existe um preconceito embutido, pois um terço dos homens acha que mulheres não devem assumir cargos de chefia porque podem engravidar e cerca de 16 milhões de mulheres já sofreram pessoalmente algum tipo de preconceito ou violência no trabalho.

No Brasil, um estudo do Fórum Econômico Mundial aponta que apenas em 2092 as mulheres passarão a ter salários equivalentes aos dos homens. Isso porque a América Latina está muito atrasada em comparação ao resto do mundo quando se trata de equidade de gênero. Globalmente, a diversidade de gênero nas diretorias das empresas está começando a acelerar.

Porém quem sai perdendo não são apenas as mulheres, as empresas também. Ainda segundo o estudo da McKinsey and Co., uma companhia inclusiva aumenta em 21% suas chances de ser mais lucrativa que as empresas menos inclusivas. Já a diversidade étnica pode contribuir para aumentar a rentabilidade em 33%. A companhia pode progredir até 3,75% se apostar em um time com 50% de mulheres e comissão interna para planejar e implementar ações para estimular a diversidade racial e de gênero.

Nesse contexto, formar equipes compostas por profissionais com idades, gênero, religião e posições distintas, respeitando as características de cada um, é um desafio, mas recompensador, já que se sabe que para atender ao varejo e seu imenso leque de características é fundamental as organizações contarem com pessoas que contribuam para a compreensão das realidades existentes no mercado consumidor, formulando, a partir das referências individuais e suas contribuições, soluções adequadas para os públicos que se quer alcançar.

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